Glúten: o bicho papão… ou talvez não!

Publicado a 27 de Setembro de 2017 . Na categoria:Artigos Notícias Notícias & Artigos .

 

Actualmente o glúten está na ordem do dia, enquanto assistimos também ao aumento de opções de produtos isentos de glúten. Mas haverá razão para alarme?

 

O glúten é uma proteína de baixa digestibilidade e não totalmente digerida no intestino, o que em pessoas sem qualquer problema de saúde não representa um risco, e que pode ser encontrada no trigo, centeio, cevada, bulgur, kamut, espelta e aveia, esta última por contaminação cruzada. No entanto algumas patologias levam a reacções a esta proteína, nomeadamente:

  • Doença celíaca: uma doença inflamatória sintomática quando existe contacto com glúten ou proteínas semelhantes, que provoca atrofia das vilosidades intestinais, modificação da permeabilidade intestinal e malabsorção de nutrientes.
  • Alergia ao trigo: uma alergia às proteínas do trigo, entre elas o glúten, com mediação imunológica, com sintomas respiratórios e/ou gastrointestinais.
  • Sensibilidade não-celíaca ao glúten: neste caso não existem anomalias visíveis, mas apenas sintomatologia gastrointestinal sempre que existe ingestão de glúten. Esta é uma patologia ainda com pouco conhecimento, recente e controversa, pois os sintomas apresentados são semelhante aos do Síndrome de Intestino Irritável.

Para qualquer uma destas patologias, o tratamento disponível actualmente é a exclusão de glúten da dieta.

 

paoSão muitas as pessoas que retiram o glúten da sua alimentação acreditando que este seja deletério para sua saúde, que os produtos gluten-free são mais saudáveis ou que a exclusão do glúten ajuda no emagrecimento.

 

A exclusão do glúten tem-se mostrado benéfica em algumas patologias pré-existentes, como por exemplo a artrite reumatóide ou a psoríase, o que não é o mesmo que dizer que o glúten provoca estas doenças!

No que aos atletas diz respeito, os estudos mostram que a exclusão do glúten não leva ao aumento da performance nem à diminuição do stress intestinal, que é causado pelo desvio do sangue para os músculos em utilização.

Na população geral, sem doença celíaca, os estudos apontam que retirar o glúten da dieta sem supervisão não traz qualquer benefício e pode causar desequilíbrios nutricionais pela eliminação dos cereais. Além disso, os produtos isentos de glúten têm muitas das vezes mais açúcar e gordura do que os seus equivalentes com glúten, além do preço mais elevado que compromete ainda mais as escolhas disponíveis.

 

Também no emagrecimento a literatura científica não encontra fundamento. E deve reflectir: emagrece por que retirou o glúten em especifico ou porque cessou o consumo de bolos, bolachas, pão e massas que o contêm? Emagrece porque excluiu o glúten ou porque não consumiu mais produtos processados que contêm glúten?

 

Concluindo…

Se não apresenta quaisquer sintomas quando ingere glúten, não tem necessidade de o excluir da sua alimentação, nem esta exclusão lhe trará benefícios específicos (exceptuando casos de patologias, como vimos inicialmente).

Caso apresente sintomas quando ingere glúten, deve procurar um profissional de saúde para poder realizar os exames de diagnóstico da doença celíaca, bem como um nutricionista para que garanta o equilíbrio da sua alimentação.

 

Tânia Carreira,

Nutricionista na Unidade de Saúde Balance

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