Operação ao Menisco. Sim ou Não?

Publicado a 3 de Janeiro de 2018 . Na categoria:Artigos Notícias Notícias & Artigos .

 

Ao contrário dos medicamentos, as cirurgias ortopédicas podem ser efetuadas sem passarem por fase de testes rigorosos de modo a perceber a sua eficácia e segurança. Por isso mesmo, milhões de cirurgias à coluna, joelhos e ombros foram realizadas sem que haja qualquer tipo de Op Menisco - S ou Nevidência cientifica que a suporte.

Recentemente, têm sido efetuados um grande número de estudos que verificam que muitas cirurgias populares apresentam resultados semelhantes ao PLACEBO. No entanto, muitas destas cirurgias continuam a ser feitas a uma taxa de centenas de milhares por ano. Apesar de ser algo chocante e preocupante, é importante que continue a ler, nomeadamente se está na área da saúde e reabilitação, ou ainda se tem dores crónicas e está a ponderar ser operado.

Continue a ler este artigo para uma revisão da evidência científica sobre algumas das mais populares cirurgias realizadas aos joelhos.

 

 

A osteoartrose do joelho é um achado comum, mas não resulta diretamente em dor – aliás, muitas pessoas apresentam um elevado grau de artrose e não tem qualquer dor. Assim como muitas pessoas que têm dores no joelho não tem qualquer tipo de desgaste articular (artrose).

Ainda que esta relação entre dor e artrose seja fraca, muitas são as cirurgias realizadas para corrigir a artrose. (1)

Há cerca de 15 anos atrás, duas das cirurgias mais comuns ao joelho eram a limpeza e lavagem, que consistiam na remoção de cartilagem ou osso danificados e na irrigação com solução salina, respetivamente. O objetivo destes procedimentos era retirar possíveis fragmentos que pudessem estar a irritar a articulação. Como os resultados desta intervenção não eram os melhores, as pessoas começaram a perguntar-se se estes eram causados por placebo ou se podiam ser alcançados através de técnicas menos invasivas, como a fisioterapia, exercício físico ou descanso.

 

Para testar esta possibilidade, investigadores conduziram um estudo com uma cirurgia fingida (sham), um grupo recebia a cirurgia verdadeira e outro grupo de pacientes recebia uma cirurgia falsa. A cirurgia falsa consistia apenas num corte sobre a pele, na mesma localização dos cortes da cirurgia verdadeira, de modo que os pacientes não tinham maneira de saber se tinham recebido a cirurgia real ou a falsa. Foi feito um seguimento periódico durante vários anos, sendo reportado os níveis de DOR e FUNÇÃO. Foi então verificado que a cirurgia falsa obteve os mesmos resultados que a cirurgia verdadeira durante todo o seguimento, quer na dor quer na função (2), o que sugere que a cirurgia funciona por mudar a psicologia e não a estrutura.

 

Apesar da evidência científica nos provar que esta cirurgia é inútil, a sua aceitação por parte dos cirurgiões foi lenta. Ainda passado este tempo todo, são realizadas milhares de cirurgias deste tipo que têm custos na ordem dos milhões/ano (3). Novos estudos provaram que a cirurgia não proporciona melhores resultados do que abordagens mais lógicas e conservadoras como exercício, perda de peso e uso ocasional de medicação anti-álgica (4).

 

Estas técnicas cirúrgicas cada vez mais foram caindo em desuso, sendo posteriormente substituídas por uma técnica cirúrgica chamada meniscectomia parcial artroscópica. Quando submetida a estudos científicos, ficou também provado que esta técnica não era mais eficaz do que sham.

Em 2015, investigadores compilaram os resultados de nove estudos diferentes sobre intervenções cirúrgicas ao joelho e concluíram que a sua eficácia era baixa, com um grande potencial de causar danos (5).

Um editorial recente do British Journal of Medicine afirma que a artroscopia do joelho para alivio de dor “ é uma prática altamente duvidosa sem evidência científica que a suporte” (6).

Em 2017 sai uma guideline no British Medical Journal afirmando: “Fazemos uma forte recomendação contra o uso de intervenções artroscópicas em quase todos os indivíduos com lesão degenerativa do joelho… Dificilmente investigação futura irá alterar esta recomendação” (7).

Apesar destas recomendações, a artroscopia ao joelho continua a ser uma das intervenções mais praticadas em ortopedia nos EUA, realizando-se 700 000 por ano (6).

Como é isto possível? A resposta mais simples é que muitos cirurgiões confiam mais na sua experiência pessoal do que na ciência. Irão afirmar que viram a cirurgia a fazer milagres para muitas pessoas, mesmo após intervenções mais conservadoras terem falhado. Isto pode sem dúvida ocorrer, no entanto, devemos altamente céticos que a sua causa são alterações estruturais que ocorreram no joelho. Por outro lado, um tratamento de sucesso para a dor crónica do joelho passará muito mais por criar alterações ao nível do Sistema Nervoso Central, do que por alterações ao nível da articulação local. Este ponto é confirmado pela similaridade de resultados verificados para cirurgias da coluna, onde frequentemente se observa incapacidade de superar os resultados obtidos por intervenções comportamentais para a dor lombar.

 

Conclusão

Para deixar claro:

Nenhuma da informação acima mencionada sugeriu que não devemos confiar no nosso cirurgião, ou que a cirurgia nunca é uma maneira de tratar a dor crónica. Muitas cirurgias são uma excelente opção em determinadas circunstâncias. Pessoalmente, conheço muita gente que obteve resultados excelentes através da cirurgia, onde receberam excelentes conselhos do cirurgião acerca da evidência científica, e dos prós e contras da sua cirurgia. Por outro lado, também conheço muita gente que recebeu intervenções cirúrgicas provadamente ineficazes, que nunca foram devidamente aconselhadas pelo seu médico, e que no final, não obteve um resultado satisfatório.

O grande problema é que a comunidade médica tem muitos pontos cegos e vieses na maneira como lidam com a dor crónica. Consistentemente procuram explicar e tratar a dor crónica como um defeito estrutural, em vez de analisarem questões comportamentais e processos neurológicos complexos que poderão ter uma influência maior naquele problema. Os profissionais de saúde devem estar atentos a esta tendência e aprender o máximo sobre a complexidade da dor, de modo a poderem ajudar os seus pacientes a encontrar as melhores estratégias para lidar com o seu problema, assim como os pacientes devem questionar os seus cirurgiões antes de irem “à faca”.

 

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